A recorrência do cisto pilonidal ainda é um grande desafio, mesmo após cirurgia. Diferente dos casos iniciais, quando a doença aparece pela primeira vez, os quadros recorrentes costumam ser mais complexos. Isso acontece porque já existem cicatrizes de cirurgias anteriores e trajetos da doença mais irregulares, o que torna novos tratamentos mais difíceis.

Por isso, escolher a melhor abordagem cirúrgica nesses casos exige ainda mais cuidado. Nem sempre as técnicas que funcionam bem na primeira cirurgia apresentam os mesmos resultados quando a doença volta. Cada paciente precisa ser reavaliado de forma individualizada.

Nos últimos anos, uma técnica menos invasiva vem ganhando destaque: a ablação a laser. Nesse procedimento, um pequeno cateter com uma fibra de laser na ponta é introduzido no trajeto da doença. A energia do laser é aplicada de forma controlada, destruindo o tecido inflamado e promovendo o fechamento do canal, sem a necessidade de grandes incisões.

Estudos anteriores já mostraram que essa técnica é segura e eficaz nos casos iniciais da doença. Mas será que ela funciona igualmente bem quando o problema retorna?

Para responder essa pergunta, pesquisadores analisaram os resultados de diversos estudos científicos já publicados. Eles reuniram dados de pacientes com doença pilonidal recorrente tratados com laser e avaliaram principalmente dois pontos: a taxa de cicatrização e a ocorrência de complicações mais graves após o procedimento.

No total, foram incluídos 7 estudos, somando 137 pacientes. Desses, 112 apresentaram cicatrização após o tratamento com laser, o que corresponde a uma taxa média de aproximadamente 82%.

Quando analisado o tempo de acompanhamento, os resultados mostram uma tendência interessante:

  • Em até 12 meses, a taxa de cicatrização foi mais alta, chegando a cerca de 87%
  • Após períodos mais longos, essa taxa caiu para aproximadamente 75%

Isso sugere que, embora o tratamento seja bastante eficaz no curto prazo, ainda é importante acompanhar os pacientes por mais tempo para entender melhor os resultados duradouros.

Outro ponto analisado foi a necessidade de associar o laser a um procedimento chamado “pit picking” (remoção de pequenos orifícios da pele). Os dados mostraram que não houve diferença significativa entre realizar ou não essa etapa adicional, indicando que ambas as abordagens podem ter resultados semelhantes.

De forma geral, os resultados são animadores: a ablação a laser se mostrou um método seguro e eficaz no tratamento da doença pilonidal recorrente, especialmente no curto prazo.

Ainda assim, os próprios pesquisadores destacam a necessidade de estudos mais robustos e com acompanhamento mais longo para confirmar esses resultados ao longo dos anos.

Referencia: Qin J, Xu X, Li Z, Jin L, Wang Z, Wu J. Efficacy and safety of laser ablation for recurrent pilonidal sinus: a systematic review and meta‑analysis. Int J Colorectal Dis. 2025 Feb 19;40(1):47. doi: 10.1007/s00384-025-04832-x. PMID: 39969579; PMCID: PMC11839847.