LARS é uma disfunção intestinal crônica que pode ocorrer após cirurgias preservadoras do esfíncter anal. De acordo com a definição internacional de consenso, o LARS envolve sintomas intestinais que impactam significativamente a qualidade de vida.

Os sintomas mais comuns incluem:

  • Urgência evacuatória (dificuldade de segurar as fezes)
  • Evacuações muito frequentes
  • Várias idas ao banheiro em curto intervalo (“clustering”)
  • Sensação de evacuação incompleta
  • Incontinência fecal ou escapes
  • Função intestinal imprevisível

Mais importante que os sintomas isolados é o impacto na vida do paciente: medo de sair de casa, dependência de banheiro, alterações na vida social, profissional e íntima.

Após a cirurgia do reto, o reservatório natural de fezes diminui e os nervos pélvicos podem ser afetados. Além disso, tratamentos como radioterapia podem contribuir para alterações na motilidade e na sensibilidade intestinal. O resultado é um intestino que evacua de forma mais frequente, urgente e fragmentada.

O tratamento é progressivo e individualizado. Pode incluir:

  • Ajustes na dieta
  • Reabilitação pélvica
  • Treinamento evacuatório

Ajuda a esvaziar o intestino de forma programada, reduzindo clusters e urgência.

Quando os sintomas persistem apesar das medidas conservadoras, a neuromodulação sacral surge como uma das terapias mais eficazes.

A SNM utiliza um pequeno dispositivo implantável que modula os nervos responsáveis pelo controle intestinal. Estudos clínicos mostram que a neuromodulação pode:

✔ Reduzir urgência
✔ Diminuir episódios de incontinência
✔ Reduzir evacuações fragmentadas
✔ Melhorar a sensação de esvaziamento
✔ Melhorar significativamente a qualidade de vida

Ela é indicada principalmente para pacientes com:

  • LARS grave
  • Falha de tratamento clínico e reabilitação
  • Impacto importante na qualidade de vida

É uma terapia reversível, ajustável e minimamente invasiva, e pode evitar a necessidade de um estoma definitivo em alguns casos.

O LARS não é “frescura” nem “algo com que é preciso conviver”. É uma condição reconhecida internacionalmente e com tratamento. Se o intestino mudou após a cirurgia do reto, vale a pena procurar avaliação especializada.