Reembolso pelo convênio médico: como utilizar

5 novembro, 2020

Reembolso por convênios médicos ainda é um direito do qual poucos pacientes usufruem e que está previsto em lei.


Ele permite que o paciente tenha maior liberdade no momento de escolher o médico que prestará seu atendimento, os locais em que deseja realizar seus exames e os profissionais que conduzirão seu tratamento cirúrgico, não se limitando unicamente ao guia de referenciados indicado pelos planos de saúde.


No caso de consultas, o paciente pode entrar em contato com seu convênio por telefone e/ou aplicativo para saber qual o valor ao qual tem direito.

Após a realização do atendimento, o médico emite uma nota fiscal em que constam dados do paciente, do profissional e a descrição do serviço prestado e assim o beneficiário do plano pode requerer seu reembolso por canais específicos de cada empresa.


Já em relação às cirurgias, o médico emite um relatório chamado "Solicitação de Prévia de Reembolso" em que constam os procedimentos e seus códigos justificados pelo quadro clínico, além da relação completa dos membros da equipe e seus respectivos honorários. Esse documento é enviado ao plano de saúde que então fornece os valores a serem devolvidos ao paciente (Prévia de Reembolso) caso a cirurgia ocorra.

Após a realização do procedimento, além da nota fiscal, o profissional emite um relatório. Ambos são apresentados à operadora de saúde que tem prazo aproximado de 30 dias para realizar a devolução do valor acordado ao paciente.


No entanto, deve-se atentar que, apesar de previsto em lei, o reembolso só é obrigatório quando está incluído no contrato. Alguns convênios, em especial aqueles cuja rede de atendimento é baseada em estabelecimentos próprios, não disponibilizam essa opção. Portanto, fique atento ao seus direitos no momento da contratação e, se esse benefício estiver incluído, usufrua ao máximo dele e do seu direito de escolha.

 

Por que meu intestino não funciona?

29 abril, 2019

Todos os dias no consultório, pacientes se queixam de constipação intestinal, independente do gênero ou idade.

 Definida como a redução da frequência das evacuações ou alteração da consistência/ forma das fezes que se tornam endurecidas levando à necessidade de grandes esforços, a constipação pode apresentar muitas consequências. O desconforto abdominal e a distensão (inchaço) são as queixas mais comuns, além de dor anal e do sangramento comumente visto no papel higiênico.

A causa mais comum deste quadro é a dieta pobre em fibras e água, mas alguns pacientes podem apresentar outros fatores associados como distúrbios da tireoide, doenças infecto-parasitárias, efeitos colaterais de medicações de uso contínuo e alterações estruturais do próprio trato digestivo ou do assoalho da pelve.

O diagnóstico é clinico, no entanto a busca pela sua causa pode requerer exames complementares específicos para cada indivíduo. Por isso, é muito importante conversar com um coloproctologista de sua confiança que proponha a linha diagnóstica e o tratamento.

Só não se esqueça de que independente da causa, alguns hábitos como a inclusão de fibras (alimentos integrais, frutas e verduras), consumo adequado de líquidos hidratantes (água, chás, sucos naturais, água de coco) e exercícios físicos já podem aliviar muito o quadro.

 

Abscessos e Fístulas Anais

3 março, 2019

Abscessos são coleções purulentas que podem ocorrer em toda a região perianal. Muitas vezes esses abscessos estão complicados pela presença de uma fístula, isto é, um trajeto anômalo entre duas superfícies: o revestimento interno do ânus/reto e a pele ao redor.

Ocorrem com maior frequência em homens, com idade próxima aos 40 anos e suas causas não estão bem definidas. Muitas pacientes questionam se má higiene, hábitos intestinais irregulares, relação sexual anal, diabetes ou obesidade podem contribuir para a formação desta doença, porém não há dados que possam confirmar essa associação.

Os sintomas do abscesso incluem: dor anal, vermelhidão, inchaço e muitas vezes saída espontânea de pus. Na presença da fístula, esses episódios se tornam recorrentes e a secreção pode ser contínua por um ou mais orifícios na pele. Alguns pacientes podem evoluir com disseminação da infecção para todo o períneo ou mesmo sepse (infecção generalizada).

O diagnóstico é essencialmente realizado pelo exame físico no próprio consultório. Alguns exames de imagem como ultrassonografia endoanal e ressonância magnética são indicados nos casos mais complicados como aqueles com múltiplos orifícios ou recidivados.

O tratamento do abscesso pode incluir o uso de antibióticos, drenagem local, passagem de drenos e, em alguns casos pertinentes, o tratamento da fístula se esta já estiver identificável.

As fístulas, por sua vez, têm tratamento cirúrgico indicado na grande maioria dos casos. Essa abordagem visa reduzir o risco de infecções graves, manter ao máximo a capacidade de continência anal e reduzir o risco de recidiva. Diversas técnicas cirúrgicas estão disponíveis, porém a eficácia delas depende de uma indicação adequada. As mais comuns são: fistulotomia, passagem de sétons (drenos), uso de plugs ou cola biológica, LIFT (ligadura do trajeto) e retalhos.

Logo, as duas maiores dificuldades no tratamento destas doenças estão em um adequado diagnóstico diferencial (lembrando que doenças como Crohn e infecções incomuns podem ser a causa) e a escolha da melhor abordagem terapêutica, sendo fundamental encontrar um profissional capacitado para esse suporte.

 

Doença Hemorroidária

13 fevereiro, 2019

Hemorroidas são coxins vasculares no canal anal e estão presentes em todos os indivíduos, auxiliando inclusive na continência fecal. Quando esses vasos sofrem uma dilatação e um deslizamento de sua posição original, forma-se a DOENÇA HEMORROIDÁRIA.

Os principais fatores que contribuem para o desenvolvimento desta doença são: constipação, diarreia crônica, gravidez, envelhecimento e hereditariedade. Muito se especula sobre a ação das comidas condimentadas ou apimentadas no desenvolvimento deste problema, porém as principais referências não incluem este fator como causa da doença hemorroidária.

Dentre as queixas, a mais comum é o sangramento vivo às evacuações, podendo se apresentar como gotejamento ou até mesmo em jato. Percepção de nódulo anal que surge aos esforços ou mesmo que já fica continuamente exposto também é comum. Outros sintomas incluem: saída de muco, desconforto anal e sensação de evacuação incompleta. Durante episódios de “trombose”, pode haver uma exacerbação destes sintomas de maneira abrupta.

As hemorroidas são historicamente classificadas em externas e internas, sendo que esta última pode ser classificada em graus (de primeiro ao quarto), dependendo da permanência ou redução do nódulo anal. Quando houver concomitantemente hemorroidas internas e externas, também chama-se a doença de mista.

O diagnóstico é feito pelo exame físico e pela anuscopia, procedimento simples e rápido realizado no próprio consultório, sem necessidade de preparo ou sedação, em que se passa um pequeno aparelho pelo canal anal. Algumas vezes é necessário descartar outras doenças do cólon e do reto, sendo indicada oportunamente investigação com exames mais complexos como a colonoscopia.

O tratamento inclui alterações do hábito de vida como, por exemplo, dieta rica em fibras e líquidos e cuidados de higiene. O uso de tratamentos tópicos (pomadas) e outras classes medicamentosas pode ser um auxiliar no alívio dos sintomas.

Para casos com indicação específica, estão disponíveis procedimentos em consultório como a ligadura elástica e para casos mais avançados com sintomas e nodulações mais exuberantes, a cirurgia chamada hemorroidectomia. Este procedimento pode ser realizado por diferentes técnicas como a cirurgia convencional, a desarterialização hemorroidária (THD) e a anopexia mecânica (com uso de “grampeador”), dentre outras.

Para cada aspecto da doença e do paciente, um dos tratamentos estará indicado e por se tratar de uma região com sensibilidade maior e tempo de recuperação diferente de outras regiões do corpo, é fundamental consultar um médico coloproctologista, com formação adequada e título de especialista.

 

Coloproctologia: o que é?

13 fevereiro, 2019

A coloproctologia é a especialidade médica responsável pelo diagnóstico e tratamento clínico e cirúrgico das doenças que acometem o intestino delgado, cólon, reto e ânus.

O coloproctologista também realiza exames como colonoscopias, retossigmoidoscopias, anuscopias, manometria anorretal e ultrassonografia endoanal.

As principais doenças tratadas pela especialidade incluem: retocolite, doença de Crohn, câncer colorretal, doença diverticular, constipação intestinal, incontinência anal, doença hemorroidária, abscessos e fístulas anais, fissuras e plicomas, condilomas, dentre muitas outras.

A Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) é responsável pelo credenciamento e concessão do título de especialista aos profissionais que possuam formação adequada e aprovação na prova específica.

Assim, ao escolher um profissional, opte por aquele que possua essas qualificações, garantindo um atendimento mais completo e atualizado.

 

Doença de Crohn

6 setembro, 2018

A Doença de Crohn (DC) é uma doença inflamatória intestinal que pode acometer qualquer segmento do trato gastrintestinal, porém sua ocorrência é mais comum no íleo (porção final do intestino delgado), no cólon e na região anal.

Normalmente se manifesta com diarreia de longa duração e as fezes, além de líquidas ou muito amolecidas, podem apresentar sangue e muco. Também pode cursar com dor abdominal, perda ponderal e lesões perianais como fístulas complexas e abscessos de repetição. Muitos outros sintomas ainda podem fazer parte das manifestações da Doença de Crohn, inclusive em outras topografias como pele, olhos e articulações, etc.

Seu diagnóstico pode ser de difícil definição justamente pelas inúmeras formas de apresentação da doença. Os exames mais comuns que podem ajudar nessa fase são a colonoscopia e os exames de imagem como enterotomografia, enteroressonância ou trânsito intestinal. Ainda existem exames laboratoriais como as provas inflamatórias (proteína C reativa, por exemplo) e a calprotectina fecal que auxiliam no acompanhamento da doença.

O tratamento desta doença inclui mudança dos hábitos alimentares, reposição vitamínica e suplementos nutricionais, uso de medicações orais, retais e/ou injetáveis e em alguns casos, cirurgias abdominais ou perineais.

Atualmente, o tratamento desta doença conta com várias opções medicamentosas, de diferentes formas de atuação e também com efeitos colaterais e indicações específicas.

Assim, é fundamental que o paciente portador de DC faça o seguimento com um profissional que seja especialista, esteja atualizado com as mais recentes condutas preconizadas e que também possa acompanhá-lo em todas as etapas do seu tratamento (medicamentoso e/ou cirúrgico).